Estudos e reflexões

Alguns textos sobre temas bíblicos

Em que dia da semana foi Jesus crucificado?

A declaração de Jesus em Mateus 12:39-41 afirma categoricamente que a história de Jonas, do Antigo Testamento, realmente ocorreu conforme as escrituras registram. Mas mais do que isso, o evento constituiu um sinal da morte do próprio Cristo, bem como de seu sepultamento e ressurreição. Na realidade, este foi o único sinal dado àquela geração (v. 39).

Alguns cristãos criam uma grande polêmica sobre a expressão “três dias e três noites.” Insistem que Jesus usou a expressão porque era para ele estar na sepultura durante exatamente 72 horas. Essa convicção levou-os a concluir que Cristo foi crucificado na tarde do 4º dia da semana e que ressuscitou na mesma hora da tarde do Sabbath.

Em 17 (dezessete) diferentes ocasiões, Jesus ou Seus amigos falaram da cronologia envolvendo a Sua morte e ressurreição.

  • Dez vezes, foi especificado que a ressurreição ocorreria no “terceiro dia” (Mat.16: 21; 17:23; 20:19, Marcos 09:31; 10:34, Lucas 9:22; 13:32 ; 18:33; 24:7,46).
  • Em cinco ocasiões eles disseram, “em três dias” (Mateus 26:61; 27:40, Marcos 15:29, João 2:19-20).
  • Duas vezes eles usaram a frase, “depois de três dias” (Mateus 27:63, Marcos 8:31).
  • E apenas uma vez Jesus falou de Sua morte como “três dias e três noites” (Mateus 12:40).

Sem sombra de dúvida, todas essas expressões são usadas para descrever o mesmo acontecimento. Não há controvérsia quanto a este ponto. “O terceiro dia”, “em três dias”, “depois de três dias”, e “três dias e três noites” são termos equivalentes utilizados na escritura em referência à ressurreição de Jesus .

Expressões nem sempre são literais

Agora indagamos: Será que todas essas expressões podem ser compreendidas em um sentido estritamente literal e ainda se harmonizarem umas com as outras? Absolutamente não! Por exemplo, “depois de três dias” tem que ser interpretado como mais de 72 horas. Em três dias” poderia significar qualquer intervalo de tempo igual ou inferior a 72 horas, e “três dias e três noites” só podia significar exatamente setenta e duas horas. E “no terceiro dia” apresenta problemas ainda maiores, como veremos adiante.

Isso soa confuso? Se assim for, é apenas porque homens colocaram a sua própria interpretação acima do significado da Palavra de Deus. Devemos permitir que a escritura se explique e, especialmente, devemos deixar que Cristo forneça definições para as palavras que Ele falou. Seria um erro colossal nos apoderarmos de qualquer uma das expressões utilizadas e forçarmos uma  estrita conformidade com a nossa interpretação sem referência aos outros 16 textos sobre o assunto.

Contagem Inclusiva

A única maneira de harmonizar todas estas declarações aparentemente contraditórias de Jesus é compreendê-las à luz do método chamado “contagem inclusiva” de tempo. Este foi o método utilizado por toda a escritura para o cômputo de um período de tempo; e devemos aplicar o mesmo método agora, a menos que queiramos alimentar a confusão. A insistência irrazoável sobre o uso de expressões idiomáticas do Século XX para interpretar a língua grega ou hebraica do Século I é algo que pode causar grandes distorções e mal-entendidos. Jesus e Seus amigos falaram e escreveram em total harmonia com a linguagem adotada na época, e aquele uso é reconhecido como “contagem inclusiva” de tempo. Em linguagem simples, isto significa que qualquer parte de um dia era computada como valendo um dia inteiro, na contagem.

Antes de nos debruçarmos nas escrituras para a confirmação deste princípio, vamos ler a declaração da Jewish Encyclopedia sobre o assunto, quando fala sobre a circuncisão de um menino judeu no oitavo dia:

“A circuncisão é feita no oitavo dia, mesmo que a criança tenha nascido nos últimos minutos do primeiro dia, sendo estes considerados como ‘um dia’”. Jewish Encyclopedia,Vol. 4, pág. 475.

Como é clara a definição do método hebraico de computar o tempo… Qualquer pequena parte de um dia é considerada como sendo simplesmente “um dia”. É a forma hebraica de discurso e de linguagem. Dezenas de contradições apareceriam tanto no Novo como no Antigo Testamento se esses princípios fossem ignorados. Devemos comparar escritura com escritura e usar a compreensão da expressão idiomática da cultura em que a passagem bíblica foi escrita. A contagem inclusiva de tempo era a realidade da época de todos os autores das escrituras.

Exemplos das Escrituras

Observemos agora alguns exemplos desse uso nas escrituras, para clarificar o problema:

Noé: Em Gênesis 7:4, Deus disse a Noé: ” Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra” Mas no versículo 10, lemos: “E aconteceu que depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio”. A leitura marginal expressa como “no sétimo dia”.  Pobres dos cronologistas que tentaram explicar essa! Quando é que o dilúvio veio? Em sete dias? No sétimo dia? Ou depois de sete dias? A resposta é simples quando a contagem inclusiva é aplicada. O dia em que Deus falou com Noé foi contado como o primeiro dia, e no dia em que começou a chover foi o sétimo dia. Mesmo que Deus tivesse falado apenas 10 minutos antes do término do primeiro dia, ainda era considerado como um dos sete dias. E se começou a chover ao meio-dia do último dia, esse dia também foi contado como um dos sete.

Circuncisão: O mesmo princípio se revela na circuncisão dos bebês judeus. Gênesis 17:12 especifica “O que tem oito dias será circuncidado entre vós.” Mas Lucas 1:59 diz no oitavo dia” e Lucas 2:21 diz usa ainda uma outra expressão: “Completados os oito dias para ser circuncidado o menino”.

José: Mais uma prova de contagem inclusiva é vista na forma como José lidou com os seus irmãos. Gênesis 42:17-19 diz: “E os meteu juntos em prisão três dias. Ao terceiro dia, disse-lhes José: Fazei o seguinte e vivereis… “

Impostos: Considere também a questão tributária entre o rei Roboão e o povo. 2 Crônicas 10:5 diz: “Após três dias, voltai a mim”. E no verso 12, diz: “Veio, pois, Jeroboão e todo o povo, ao terceiro dia, a Roboão, como o rei lhes ordenara“.

Ester: em Ester 4:16, Esther disse: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos“. Então, em Ester 5:1 diz: “Ao terceiro dia, Ester se aprontou com seus trajes reais e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte da residência do rei; o rei estava assentado no seu trono real fronteiro à porta da residência.” Podemos ver que, apesar de que os três dias e as noites não tinham sido concluídos, Ester entrou para ver o rei no terceiro dia, muito embora ela tenha dito para jejuar por três dias e noites. Notamos que a expressão “no terceiro dia”, naquela época, era equivalente à expressão “depois de três dias”, contando o primeiro dia como o dia #1, e não como dia #0 (zero) como fazemos hoje. Ambas as expressões “depois de três dias” ou “em três dias” significavam simplesmente “o dia depois de amanhã” nas escrituras.

Definição de tempo segundo Cristo

A essa altura, já podemos aplicar esta regra claramente estabelecida para falar sobre o tempo em que Jesus ficou no túmulo. Pelo menos uma parte de três dias tinha que estar incluída no período que Ele estava morto. A expressão mais frequente que Jesus usou para descrever a ressurreição foi “o terceiro dia”. Ele defendeu a repetição do termo com base nas Escrituras. “E lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia (Lucas 24:46).

Os dois discípulos no caminho de Emaús empregaram a mesma expressão quando eles falaram sobre os trágicos acontecimentos referentes à crucificação. Inconscientes do fato de que eles estavam conversando com o próprio Jesus, que tinha ressuscitado antes naquele mesmo dia, um deles disse: “…depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.” (Lucas 24:21).

Com toda a certeza, as pessoas sabiam como contar os dias e como determinar qual era o terceiro. Elas sabiam porque era uma expressão comum em sua língua e cultura. Mas Jesus não deixou qualquer sombra de dúvida sobre o assunto. Pelo jeito, Ele antecipou a perplexidade dos cristãos que mais tarde poderiam não saber o que significa “contagem inclusiva”, e deu uma explicação simples e conclusiva de como localizar o terceiro dia em algum trecho das escrituras, para que ninguém jamais tivesse a dúvida novamente. “…hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois…”(Lucas 13:32, 33, ARA).

Veja o mesmo trecho na Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “…hoje e amanhã eu estou expulsando demônios e curando pessoas e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. E Jesus continuou: – Mas eu preciso seguir o meu caminho hoje, amanhã e depois de amanhã…”

Quão simples Jesus deixou! Com uma explicação clara como essa, até mesmo uma criança tem condições de entender quando é o terceiro dia no contexto e na linguagem bíblicos. O terceiro dia será sempre o dia “depois de amanhã” a partir de qualquer determinado evento. O primeiro dia é contado como um dia inteiro (não importando a que horas o evento começou naquele dia), o segundo dia é contado em sua totalidade e o terceiro dia é computado também em sua totalidade mesmo que o evento termine bem cedo naquele último dia da contagem.

Agora podemos entender a conversa que Jesus teve com os líderes judeus e por que eles interpretaram da forma que interpretaram. “Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?” (João 2:19-21). Mais tarde, após a crucificação, o sumo sacerdote disse a Pilatos: “senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo os discípulos e o roubem…”(Mateus 27:63, 64).

Com a definição tão bem explicada por Cristo sobre a linguagem referente à cronologia, a questão fica resolvida. Falando profeticamente de Sua própria morte e ressurreição, Ele disse: “Hoje (crucificação) e amanhã (no túmulo), e ao terceiro dia (ressurreição) serei aperfeiçoado ” (Lucas 13:32). Aí estão todos os três dias em sua sequência. Mesmo tendo morrido no final da tarde do 6º dia da semana, o dia inteiro seria contado como o primeiro dia. O segundo dia atravessaria o Sabbath, quando Ele ficou no túmulo. Mesmo tendo ressuscitado nas primeiras horas do terceiro dia (o dia depois do Sabbath, que foi o dia 1º da semana), o método de “contagem inclusiva” o tornaria um dentre os três dias. Assim, o 6 º dia da semana, o Sabbath e o dia após o Sabbath = Três Dias!

A Ressurreição no primeiro dia da semana (o dia após o Sabbath)

Agora chegou a hora de identificar o dia da semana em que esses eventos ocorreram. Novamente, ficamos impressionados com a perfeita harmonia das Escrituras sobre o assunto. Não há dúvida de que Ele ressuscitou no dia após o Sabbath, no primeiro dia da semana. Marcos declara enfaticamente: “Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena” (Mc 16:9). Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana do calendário hebreu vigente na época (obs.: não era o calendário Gregoriano!). Palavras não poderiam ser mais claras. Mesmo a construção em grego, no original, não permitem outro significado. Ele não se levantou da sepultura no Sabbath, como alguns afirmam. Não há nenhum resquício de escritura que sugira que Ele tenha morrido no 4º ou no 5º dia da semana.

De acordo com o registro inspirado das escrituras, Cristo foi condenado à morte no “dia da preparação”, e no dia de preparação foi o dia antes do Sabbath semanal. Confira em Marcos 15:42, 43: ” Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do Sabbath, vindo José de Arimatéia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus“.

O dia seguinte à crucificação não foi apenas o Sabbath semanal, mas também um Sabbath especial, “um Sabbath especialmente sagrado (João 19:31, NIV), no dia 1º dia da Festa dos Pães Ázimos, o dia 15 do primeiro mês hebraico (Mateus 26:17, Marcos 14:01), que também era chamado de Páscoa (Lc 22:1). Lucas claramente identificou que o dia de preparação era aquele que precedia o Sabbath (Lucas 23:54 – 24:1).

Certamente não pode haver dúvida quanto aos elementos de tempo envolvidos. Ele morreu no dia da preparação (dia antes do Sabbath, o 6º dia da semana, o dia 14 de Abib). O dia seguinte é designado como “o Sabbath, segundo o mandamento” (Lucas 23:56), que é o dia 15 de Abib.

Jesus foi levantado da tumba alguns minutos após o nascer do sol (provavelmente depois das 5:00h) do primeiro dia da semana, contando assim como parte do terceiro dia.

Especiarias e Unguentos

Depois de descrever os acontecimentos do dia de preparação em Lucas 23:54-55, o versículo seguinte diz:

Lucas 23:56: “Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no Sabbath repousaram, conforme o mandamento“.

Agora, observe o que o versículo seguinte diz:

Lucas 24:1: “No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que haviam preparado“.

Queira notar que depois de preparar as especiarias, na tarde da crucificação (o 6º dia da semana), e de descansar durante o Sabbath, chegaram ao sepulcro com as especiarias no primeiro dia da semana para fazer o trabalho de unção. Esta foi a primeira oportunidade depois do término do Sabbath para realizar os preparativos feitos no dia da crucificação. Foi quando elas descobriram que Cristo havia ressuscitado.

Se a crucificação tivesse ocorrido no 4º dia da semana, como explicaríamos por que as mulheres esperaram até o primeiro dia da semana seguinte para ir ao sepulcro? Por que elas não teriam ido no 5º dia ou no 6º dia para ungir o Seu corpo? Será que não sabiam que um corpo humano começa a se decompor antes e que aquele ato seria em vão? As respostas a estas perguntas constituem o mais forte argumento contra uma crucificação no 4º dia da semana.

Considerando o relevante peso da evidência bíblica que refuta tal suposição, como é que alguns ainda se apegam à ideia de crucificação ter sido no  4 º dia da semana? O esquema todo é baseado na interpretação distorcida de um texto de uma única escritura. A frase “três dias e três noites” é forçada para artificialmente se encaixar no entendimento do uso contemporâneo das língua ocidentais, ao invés de se harmonizar com o uso comum das pessoas que viveram naquela época.

Mateus 28:1

Aqueles que acreditam que Jesus morreu no dia 4º e ressuscitou no Sabbath sustentam o seu argumento usando Mateus 28:1: Depois do Sabbath, tendo começado o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro“. Ao supor que o primeiro dia da semana supostamente se inicia quando o sol se põe no fim do  Sabbath, essas pessoas assumem que as mulheres descobriram o sepulcro vazio nos momentos de crepúsculo do Sabbath, pouco antes do pôr do sol . Aí elas contam exatamente 72 horas para trás e chegam à noite do 4º dia logo antes do pôr-do-sol para a crucificação.

Seria esta uma conclusão válida? Ou há evidência de que as mulheres não podiam ter visitado o túmulo vazio no final da tarde do Sabbath? Há prova bíblica positiva de que isso não ocorreu. Encontramos essa evidência no relato de Marcos, para a visita ao sepulcro:.

Marcos 16:1-3: “Passado o Sabbath, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo. E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo. Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?

Não há dúvida sobre isso ser uma visita de manhã cedo no primeiro dia da antiga semana hebraica. É ao nascer do sol. As mesmas mulheres são identificadas no relato de Mateus. Podemos corretamente supor que estas mesmas mulheres foram ao sepulcro na noite anterior e encontraram Jesus? Impossível. Por quê? Por causa da pergunta que eles quando se aproximaram do jardim na parte da manhã do primeiro dia da semana: ” Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?” (Marcos 16:3). Se elas tivessem estado lá no Sabbath, pouco antes do pôr do sol e tivessem encontrado o túmulo vazio, não se preocupariam com a pedra. Esta é a prova absoluta de que elas não tinham estado em um túmulo vazio no dia anterior. Isso também prova que a “aurora” de Mateus refere-se ao amanhecer representado pelo nascer do sol e não pelo pôr do sol. Não há contradição entre os dois relatos.

Setenta e duas horas não bíblica

Aqueles que insistem que Cristo esteve no túmulo por um total de 72 horas afirmam que os três dias e três noites devem ser tomados no sentido literal. Mas tal afirmação é absolutamente contrária ao testemunho das Escrituras. Um exemplo da forma que a escritura usa o termo é encontrado em Ester 4:16. Não se esqueça do fato de que eles tinham que jejuar “três dias e três noites.” No entanto, Ester 5:1 nos diz: “Sucedeu que no terceiro dia” que acabou o jejum. Aqui está um exemplo perfeito de como, no contexto bíblico, três dias e três noites terminam no terceiro dia!

Já vimos como Jesus explicou o significado de “terceiro dia”. Ele disse: “Hoje, amanhã, e ao terceiro dia” (Lucas 13:32). Quando Jesus andou com os dois discípulos no caminho de Emaús na tarde do primeiro dia da antiga semana hebraica, depois da ressurreição, Cleopas, disse: ” já ser este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam ” (Lucas 24:21).

Ninguém nega que isso foi no primeiro dia da semana. Mas se Jesus tivesse sido crucificado na tarde do 4º dia da semana, Cleopas teria que dizer “Hoje é o quinto dia desde que essas coisas sucederam“. Faça a conta: 4º dia, 5º dia, 6º dia, Sabbath e 1º dia! Mais tarde no mesmo dia – o primeiro dia da semana – Jesus fez esta declaração: ” Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia.” Lucas 24:46. Quem estava certo? Jesus estava certo e Cleopas estava certo! Mas aqueles que afirmam que a crucificação foi no 4º dia estão errados. Cristo morreu no 6o dia da antiga semana hebraica, no dia imediatamente antes do Sabbath semanal – que foi o primeiro dia na contagem. Ele ‘descansou’ no sepulcro no Sabbath segundo o mandamento – o que foi o segundo dia na contagem. Ele ressuscitou no primeiro dia da antiga semana hebraica  – o que foi o terceiro dia na contagem! Simples assim.

Os defensores de uma crucificação no 4º dia usam um argumento duvidoso para explicar as palavras de Cleopas na estrada para Emaús. Eles alegam que ele não estava contando os três dias a partir do momento da morte de Cristo, mas sim a partir do momento do lacre do túmulo, feito pelas autoridades romanas no dia seguinte ao da crucificação. Para esta especulação, não existe a menor sombra de evidência na escritura. Cleopas falou sobre o julgamento de Jesus e de certos eventos que antecederam a sua crucificação. Ao tomar um pouco de licença exegética, alguém poderia retroagir a esses eventos a partir do qual se contaria o terceiro dia. Mas é inadmissível que alguém possa querer iniciar a contagem dos três dias em qualquer momento após a morte de Cristo.

Em todos os textos relacionados, o terceiro dia é contado a partir do momento da Sua morte na cruz.

Mateus disse “que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse“. (Mateus 16:21). Marcos escreveu que “fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse“. (Marcos 8:31). O relato de Lucas diz que “seja morto e, no terceiro dia, ressuscite (Lucas 9:22).

Repetidamente, as Escrituras enfatizam a morte de Jesus como o ponto de partida na contagem dos três dias. Começar a contar um dia inteiro depois da crucificação não é apenas contrário às escrituras mas totalmente imaginário. A vedação da tumba nunca é referida como referência ao período de tempo em que Ele estava morto.

A expressão“três dias e três noites”não indica um cálculo preciso das horas, minutos e segundos. Lemos que “quarenta dias e quarenta noites” foram despendidos por Cristo na tentação no deserto. No entanto, os autores de dois dos Evangelhos se referem a esse período apenas como um período de “quarenta dias”, mostrando que a inspiração não tinha o propósito de identificar as horas ou os minutos.

Os quatro dias de Cornélio

Consideremos, agora, um exemplo claro da “contagem inclusiva” que deveria esclarecer esse ponto definitivamente. Ele é tomado do Novo Testamento e revela claramente como os dias eram contados nos dias de Jesus. O relato seguinte refere-se a um período de exatamente 72 horas e ele é chamado de “quatro dias”, não “três dias”!

Começando na Nona Hora: Em Atos 10:3, Cornélio “viu claramente numa visão cerca da hora nona do dia um anjo de Deus que se aproximou dele.” Acompanhe a história com cuidado agora. Ele foi instruído na visão de enviar mensageiros a Jope e mandar chamar a Pedro. “Logo que se retirou o anjo que lhe falava, chamou dois dos seus domésticos e um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço e, havendo-lhes contado tudo, enviou-os a Jope” (versos 7. – 8).

Um Dia:No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta, a fim de orar” (v. 9). Enquanto orava teve uma visão, e os homens bateram à sua porta quando sua visão terminou (v. 17). Note que este é um dia depois de Cornélio recebeu seu visitante anjo. Pedro convidou os homens a entrar e hospedou-os (v. 23).

Dois dias:No dia seguinte, levantou-se e partiu com eles; também alguns irmãos dos que habitavam em Jope foram em sua companhia” (versículo 23). Observe que este é agora o segundo dia desde que os homens foram enviados por Cornélio.

Três dias:No dia imediato, entrou em Cesaréia. Cornélio estava esperando por eles” (versículo 24). Este é o terceiro dia desde que Cornélio teve a visão angelical. Mas não perca este ponto: alguns minutos mais tarde, ao falar com Pedro, Cornélio disse: “Faz, hoje, quatro dias que, por volta desta hora, estava eu observando em minha casa a hora nona de oração, e eis que se apresentou diante de mim um varão de vestes resplandecentes“(versículo 30).

Três Dias = Quatro dias?? Agora temos o quadro em mente. Tinha sido exatamente três dias, à mesma hora (à hora nona). Cornélio ainda disse: “Há quatro dias.” Como ele poderia dizer “quatro dias”, quando havia apenas três dias? Porque ele usou o método da contagem inclusiva, o que significa que partes dos quatro dias estiveram envolvidas.

Por exemplo, na contagem de tempo hebraica, à hora nona equivalia às 15:00h do moderno calendário Gregoriano. A escritura não diz em que dia Cornélio teve a sua visão, mas não importa. Vamos hipoteticamente começar no 4º dia da semana. Cornélio teve a visão às 15:00h no 4º dia (Atos 10:3). No 5º dia, os homens bateram à porta de Pedro (versículo 17). No 6º dia, Pedro foi com os homens (v. 24). E no Sabbath às 15:00h, Cornélio disse que havia recebido a sua visão “havia quatro dias.” Apesar de ter sido 72 horas antes (três dias), Cornélio disse que tinha sido quatro dias atrás. Conte você mesmo! Esta é a maneira bíblica de se contar dias, que é diferente da forma moderna de se computar o tempo.

Concluindo: se Jesus foi colocado no túmulo no 4º dia da antiga semana hebraica e ressuscitado no 1º dia da semana seguinte, a escritura teria dito que teriam sido cinco dias. Mas descreve a ressurreição de Jesus como em apenas três dias. Esta é a forma que a escritura descreve a duração do tempo que Jesus esteve no túmulo. Mesmo tendo sido apenas uma parte desses três dias (parte do 6º dia da semana, a totalidade do Sabbath e parte do 1º dia), esse período é contado como três dias inteiros!
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Fonte: o artigo acima foi livremente traduzido e adaptado de um texto de autoria de Joe Crews e Anthony Richard, em:

http://ecclesia.org/truth/3days-3nights.html

Nota de tradução: no texto acima, optamos por não usar os nomes de dia da semana do calendário gregoriano (domingo, segunda-feira, …etc. sexta-feira e sábado), uma vez que tal calendário não existia nos tempos em que os livros da Bíblia foram escritos. Ao invés desses nomes, empregamos estritamente os nomes na forma em que são citados nas escrituras, a saber, o 1º dia da semana, o 2º, o 3º, o 4º, o 5º, o 6º dia da semana e o Sabbath.

Essa distinção é importante porque todos presumem que o Sabbath do antigo calendário hebreu equivale ao “sábado” do calendário gregoriano e que o 1º dia da semana (ou o dia após o Sabbath) equivale ao “domingo” do calendário gregoriano, sem que haja qualquer evidência de que essa paridade esteja correta. Muito pelo contrário, outros artigos apresentados neste blog demonstram que o Sabbath não é a mesma coisa que o “sábado” do nosso atual calendário.

Ressalvamos que, no artigo original, os autores utilizam os nomes dos dias semana do calendário gregoriano normalmente, na língua inglesa (Sunday, Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday, Friday e Saturday) e que a adaptação para a linguagem bíblica foi uma liberdade tomada pelo tradutor deste artigo.

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