Estudos e reflexões

Alguns textos sobre temas bíblicos

Livro de Ruth parte 1

[Tradução livre do estudo bíblico Ruth 1 - 2 ministrado pelo Pastor Jon Courson da Applegate Christian Fellowship, em 17/10/2001. Para assistir ao vídeo do estudo - em inglês -, clique no link].

Há uma canção que costumamos cantar, com a seguinte letra: “Fui redimido pelo sangue do Cordeiro, preenchido com o Espírito Santo, todos os meus pecados estão lavados, fui redimido”. Cantamos cantar essa música com bastante frequência, e vamos continuar cantando durante toda a Eternidade.

“É mesmo?” – você poderia dizer. Sim, no Capítulo 5 do livro de Apocalipse, vemos a Igreja no Céu, e as pessoas da Igreja reunidas em torno do Trono, e em torno do Cordeiro:

e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste (ou redimiste ou resgataste) para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. [Ap. 5:9]

Este é um cântico que os redimidos – você e eu – vamos cantar no Céu, quando estivermos com Ele. Naquele momento, em volta do Seu Trono, nós estaremos cantando aquele cântico.

Redenção! Cantamos sobre esse tema. Você já ouvir falar disso. Mas, exatamente, o que significa redenção? Este é um conceito interessante, ao qual o apóstolo Paulo faz alusão frequente, nos escritos que ele faz no Novo Testamento. A palavra ‘redimir’ significa, na realidade, “comprar”, “adquirir”. Agorazo é a palavra grega, e ela significa “comprar de alguém”. O agora era o lugar, em uma cidade grega ou romana, em que escravos eram vendidos. Alguém iria lá e compraria o seu servo, se precisasse de alguém para trabalhar em sua fazenda, negócio ou casa. O agora era o lugar central. Comprar (agorazo) significava que você iria tirar aquela pessoa do mercado, iria trazer para a sua companhia, pagando o preço. Isso é o que “redenção” significa. “Ex agorazo”  significa que a compra era permanente e que o servo comprado nunca iria ser vendido novamente.

Lutruo é uma outra palavra traduzida como “redenção”, significando que, além de o servo não voltar mais para o mercado para ser revendido, esse servo estaria livre, com carta de alforria.  Estas são palavras encontradas no Novo Testamento para se referir à palavra “redimir”.

No passado, em promoções de fabricantes de algum produto como refrigerante, sabão em pó ou algum outro item vendido em lojas, costumávamos preencher cartelas com selos daquele produtos e, após completar a cartela, você a levaria para o “centro de redenção”, para entregar a cartela com os selos e retirar um prêmio, tal como um aspirador de pó, ou uma bicicleta, TV ou o que fosse. O centro de redenção fala justamente disso: retirar alguma coisa, tomar posse de algo.

A história que vamos estudar, o Livro de Ruth (ou Rute), é a ilustração que Deus dá aos seus filhos para nos ajudar a entender todo esse assunto de “redenção”. Este é o tema do Livro de Rute: redenção. Que nós fomos redimidos. E, nisso, o verso chave está no capítulo 3, verso 9:

E disse ele: Quem és tu? E ela disse: Sou Rute, tua serva; estende pois tua capa sobre a tua serva, porque tu és o remidor”. [Rute 3:9]

Em hebraico, a palavra goel significa o redentor, aquele que tem direito a redimir, aquele que pode me tirar da situação em que estou. “Você tem o direito de fazer isso, se for a sua vontade”, diz Rute a Boaz naquela tarde. “Estende a sua capa, dê-me a sua cobertura”, e não há nada de imoral nisso, como veremos.  Significa somente que ele tinha a autoridade e o direito de redimi-la. Que era um “goel”, o parente redentor.

De onde vem isso? No capítulo 25 de Levítico, versos 47 a 50, temos a Lei da Redenção. Na realidade, o capítulo inteiro faz referência a essas questões.  Redenção, na Lei Judaica, funciona da seguinte maneira: se uma pessoa tinha que vender a si mesmo para a escravidão, por não ter conseguido pagar dívidas, por estar falido financeiramente, porque não conseguia fechar as contas, então essa pessoa vendia a si mesmo como um servo sem salário. Ou então, se tivesse que vender a propriedade da família para pagar dívidas, o que aconteceria seria que um goel (um parente com posses e com o direito de exercer a compra) teria o direito de redimir, recomprando a propriedade ou a pessoa que havia sido leiloada ou posta em trabalho escravo.

Também precisamos conhecer outra lei do Antigo Testamento que aparece nessa história. A Lei do Levirato, em Deuteronômio 25 versos 5 a 10 (observação: Levir em hebraico significa ‘cunhado’). Preste atenção, porque na história de Rute isso vai surgir. Significa o seguinte: de acordo com a Lei mosaica, quando um homem morria antes de ter um filho com a sua esposa, era a responsabilidade do irmão imediatamente mais novo, caso solteiro, se apresentar e tomar a viúva do irmão mais velho como esposa. Daí, o primogênito dessa união seria considerado filho do falecido irmão mais velho (os demais filhos seriam do casal normlmente). Então, seria possível alguém morrer, e ter um bebê dez anos depois, teoricamente. O irmão mais novo, por exemplo com seis anos de idade, cresceria, e se casaria com a viúva do irmão, e o primeiro bebê deles seria contado como descendente do irmão falecido – e então o seu nome permaneceria, deixando descendência e herdeiro.

Essa é uma situação engraçada porque daria umas discussões interessantes à mesa do jantar, quando um rapaz chegasse em casa e dissesse que ia se casar. Provavelmente os irmãos mais novos diriam: “com quem? Me mostra uma foto dela. Queremos dar uma opinião nessa história”…!

Essas leis vão aparecer em nossa história. A ideia do livro de Rute é apresentar uma ilustração do processo de redenção de pessoas falidas e escravizadas, aparecendo um goel que vai redimir a propriedade e desposar a sua ex-cunhada ou viúva de um parente próximo.

Vamos ler, então, o Livro de Rute e comentar verso a verso.

Capítulo 1:

“E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra,”

Houve fome na terra (de Israel). Claro, nós sabemos que em II Crônicas, o Senhor declara que se o Seu povo virasse as costas para Ele e começasse a olhar para outros deuses, que não Ele, que pararia de chover e fome viria à terra. Evidentemente, essa é uma daquelas épocas em que o povo do Senhor se afastou d’Ele e consequentemente houve uma fome em Israel.

“…por isso um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele e sua mulher, e seus dois filhos;”

Um homem que morava em Belém de Judá. O nome Belém significa “Casa do Pão”. O nome Judá (Yehuda) significa “louvor”. Na realidade, havia duas cidades que se chamavam Belém nos tempos do Antigo Testamento. Essa Belém era a que ficava em Judá. A mesma onde, no futuro, Jesus nasceria. A Belém da região da tribo de Judá.

Interessante, porque havia uma fome, na Casa do Pão, no lugar do louvor. Isso pode acontecer. Algumas vezes, você pode vir à Igreja, essa Casa do Pão (o Pão da Vida), a esse lugar de louvor, ou em seu próprio momento de devoção, de manhã, e dizer: “ei, está tudo meio seco, por que não estou sendo alimentado na casa do pão? Por que não me sinto confortável para louvar no local de adoração?” Pode ser porque há pecado em sua própria alma. Ou pecado na alma dos ministros do culto. Porque sempre que há pecado, a fome inevitavelmente se infiltra.

Muitas vezes as pessoas dizem: “se a Igreja, ou o pastor, ou professor da Escola Dominical, ou o coral, ou o grupo tal, simplesmente fizessem tais e tais coisas, eu me sentiria em melhores condições para louvar a Deus, ou eu me sentiria alimentado como antes me sentia”.

O que descobri pessoalmente, é que isso na maior parte das vezes não é o caso. Normalmente, é uma questão da minha própria alma. Fome no meu próprio coração. Há um problema na minha própria alma. Então, fico vulnerável a fazer exatamente o que esse homem fez, e sua esposa e seus dois filhos também. Ele sai de Belém de Judá e vai para Moabe. Ouviu que havia pão em Moabe, mas em Salmos 108 (no verso 9), o Senhor diz que “Moabe é a minha bacia de lavar”, ou literalmente “meu vaso sanitário”. Essa é a ideia. O lugar que é sujo. Um lugar que as pessoas estão vivendo em carnalidade, rolando na imundície, descendo pelo ralo, espiritualmente.  Mas aqui, essas pessoas estão dizendo: “estamos famintos”.  Não estamos sendo bem cuidados.  Então vamos lá e ver o que eles têm para oferecer.  Aqueles que não estão na terra do Senhor, não são pessoas do Senhor. Ao contrário, vamos para o “mundo”, e ver se conseguimos alguma satisfação. Vamos naquela direção, para Moabe.

O povo de Moabe – os moabitas – começaram em uma caverna e terminaram em uma cova. Começaram em uma caverna quando Ló havia adormecido embriagado e uma de suas filhas o seduziu. Talvez você se lembre dessa história sórdida: Ló e suas duas filhas e mulher fugiram de Sodoma e Gomorra, levados por um anjo, quando fogo e enxofre caíram sobre essa região. A mulher de Ló olhou para trás e se transformou em um pilar de sal – porque ela olhou para trás saudosa, com o coração em Sodoma. Ló e suas duas filhas foram para uma pequena caverna e suas filhas ficaram preocupadas com a impossibilidade de terem filhos, porque todos estavam mortos, e Sodoma e Gomorra estavam aniquiladas. Então uma das filhas sugeriu que embriagassem o pai e, em seguida, o seduzissem, para que não deixassem de ter filhos. Infelizmente, um dos filhos que nasceu a partir dessa triste história incestuosa foi Moabe – que se tornou o pai dos moabitas. Por isso, os moabitas começaram em uma caverna – literalmente e espiritualmente – e terminaram em uma cova, porque o profeta Sofonias, no capítulo 2, declara, em referência a Moabe:

Ouvi o escárnio de Moabe e as injuriosas palavras dos filhos de Amom, com que escarneceram do meu povo e se gabaram contra o seu território. Portanto, tão certo como eu vivo, diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, Moabe será como Sodoma, e os filhos de Amom, como Gomorra, campo de urtigas, poços de sal e assolação perpétua; o restante do meu povo os saqueará, e os sobreviventes da minha nação os possuirão. Isso lhes sobrevirá por causa da sua soberba, porque escarneceram e se gabaram contra o povo do SENHOR dos Exércitos. O SENHOR será terrível contra eles, porque aniquilará todos os deuses da terra; todas as ilhas das nações, cada uma do seu lugar, o adorarão”. [Sofonias 2:8-11]

Então, Moabe (pai dos moabitas), literalmente, era um descendente de Ló e sua filha. E Amon (pai dos amonitas) era o filho que nasceu da outra filha de Ló, naquele ato incestuoso. Então ambos seriam como Sodoma e Gomorra, em assolação perpétua, por causa de sua soberba, e deixariam de existir.

Em Sofonias 2 vemos que o Senhor declara que os moabitas e os amonitas seriam varridos da Terra, como Sodoma e Gomorra haviam sido. Mas aqui na história de Rute, uma família que era do povo de Deus, Elimeleque e sua esposa Noemi, e seus dois filhos Malom e Quiliom, vão para a terra de Moabe naquele dia, porque eles queriam ser práticos, porque lá havia alimento e eles tinham fome. Precisavam de pão e de satisfação. E para lá eles vão, e é uma história triste.

“E era o nome deste homem Elimeleque e o de sua mulher Noemi, e os de seus dois filhos Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e chegaram aos campos de Moabe, e ficaram ali.”

Os significados dos nomes são: Elimeleque significa “Deus é rei”. Noemi (ou Naomi, como grafado em língua inglesa) significa “agradável”, “aprazível”.

E morreu Elimeleque, marido de Noemi”.

Isso é o que sempre acontece.  A perspectiva de que “Deus é rei” morre quando vamos para Moabe, quando nos afastamos para satisfazer a nossa carne e deixamos a “Casa do Pão”, o “lugar de louvor”. Quando deixamos o país que fomos chamados a fazer parte, ou seja, a Igreja. A comunidade, o povo de Deus, a família. Quando me afasto, algo acontece. O relacionamento que tenho com Deus começa a morrer, ou diminuir. E Elimeleque morreu, literalmente.

“e ficou ela (Noemi) com os seus dois filhos. Os quais tomaram para si mulheres moabitas”.

Nossa jornada afeta a nossa família. Esses rapazes acabaram com esposas pagãs. Por quê? Porque o pai e a mãe decidiram não ir mais à Igreja, ou seja, não ser mais uma parte de Belém de Judá. Não fazer do Reino a prioridade de sua família. Ao contrário, foram para Moabe. Fazer as coisas dos moabitas. Agora, o pai está morto, e os dois filhos tomam para si esposas pagãs.

Lembre-se disso sempre, pai e mãe, como um lembrete vívido para mim e para você: as nossas jornadas afetam as nossas famílias. E há homens que pararam de vir para o Escola Bíblica e não mais frequentam os momentos de louvor. Não têm tempo para devoções em família, e não buscam o Senhor como antes pessoalmente buscavam.  Isso com certeza afeta as suas famílias.  A coisa é a seguinte: se penso que não preciso mais me preocupar com isso nessa altura da vida, que conheço a Bíblia, que sei que irei para o Céu, que não preciso manter e expandir uma vida devocional pessoal… bem, talvez você pense assim, mas e seus filhos e família? O que faço tem repercussão direta no que os meus filhos escolhem fazer e quem eles querem se tornar.  E esses rapazes se casaram com mulheres pagãs porque o pai e a mãe foram morar em Moabe, onde eles não deveriam ter ido.

“e era o nome de uma Orfa, e o da outra Rute; e ficaram ali quase dez anos. E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.”

Que história triste! Todos os homens importantes da vida de Noemi  – o marido e os dois filhos – morreram, porque foram para Moabe. E agora ela está só com as duas noras.

“Então se levantou ela com as suas noras, e voltou dos campos de Moabe, porquanto na terra de Moabe ouviu que o SENHOR tinha visitado o seu povo, dando-lhe pão.”

Interessante. Ela ouviu. Depois de dez anos de miséria em Moabe, o marido e os dois filhos mortos, ela ouve que há pão em Belém. Sem dúvida ela deve ter pensado. É lá que eu deveria ter estado, onde eu deveria ter permanecido. No lugar de louvor (Judá), na casa do Pão (Belém). Mas eu me afastei, nesses dez anos. E agora a minha família está morta.

Mas ela se levantou e tomou a decisão de sair dali. Viu que Moabe não era o seu lugar e resolveu voltar para onde pertencia. Nunca é tarde para fazer isso, para você, para mim, para nós.  Para pessoas que se dão conta que estão revolvendo na bacia de lavar de Moabe.  Para pessoas que se cansaram da confusão em que se meteram e que querem voltar ao seu povo, ao lugar aonde deveriam estar. Para pessoas que estão cansadas de piorizar a própria carreira. De viver para as coisas materiais. De ter se envolvido com tantas situações em que as próprias crenças foram comprometidas. Precisamos voltar para o lugar onde sabemos que o louvor sobe, e que o pão é desfrutado. Para a Mesa do Senhor. Para a Palavra de Deus. Isso é o que precisamos fazer.

“Por isso saiu do lugar onde estivera, e as suas noras com ela.”

Então ela se levantou. Nunca é tarde. Noemi caiu em si e viu que não havia mais como ficar lá. Suas duas noras viram a sua decisão e resolveram acompanhá-la.

“E, indo elas caminhando, para voltarem para a terra de Judá.”

A companhia do sofrimento unia essas três mulheres. Não tendo tanto assim em comum, etnicamente ou religiosamente, mas eram ligadas pelo denominador comum do sofrimento. Todas haviam perdido os seus maridos. As pessoas de quem estamos mais próximas são aquelas com quem choramos. Aquelas que têm uma ternura e sensibilidade para com você, por causa do que elas passaram. Às vezes não importa tanto se alguém fez um curso de psicologia. Um curso, isoladamente, não qualifica ninguém para se tornar conselheiro. O que mais qualifica alguém para ministrar é ter vivido bastante, ter passado por sofrimentos, tristezas, dificuldades. Elas se transformam. Essas três mulheres tinham esse sofrimento em comum, unindo-as. E agora elas estão a caminho de Belém, deixando Moabe.

“Disse Noemi às suas noras: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o SENHOR use convosco de benevolência, como vós usastes com os falecidos e comigo. O SENHOR vos dê que acheis descanso cada uma em casa de seu marido. E, beijando-as ela, levantaram a sua voz e choraram. E disseram-lhe: Certamente voltaremos contigo ao teu povo. Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas. Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no meu ventre mais filhos, para que vos sejam por maridos?”

Em outras palavras: Vocês acham que eu poderia ter mais bebês, e deixá-los crescer, para que eles fossem seus maridos (como dito em Deuteronômio 25, na Lei do Levirato)? Ela obviamente era uma senhora e não estava mais em idade de gerar filhos.

“Voltai, filhas minhas, ide-vos embora, que já mui velha sou para ter marido; ainda quando eu dissesse: Tenho esperança, ou ainda que esta noite tivesse marido e ainda tivesse filhos, Esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Deter-vos-íeis por eles, sem tomardes marido? Não, filhas minhas, que mais amargo me é a mim do que a vós mesmas; porquanto a mão do SENHOR se descarregou contra mim.”

Esta é maneira como Noemi vê as coisas nesse momento. Sua tristeza, seu desânimo, a fazem pensar: “obviamente, a mão de Deus está contra mim”. Não é verdade, Noemi, você sentiu a repercussão de estar em Moabe, mas Deus tem um plano grandioso, um projeto divino. Ele está agindo, Ele toma até as nossas recaídas e atos tolos e é capaz de transformá-los em bênçãos. Isso é algo impressionante, chama-se redenção.  Somente Ele pode fazer isso. Mas Noemi, a essa altura, diz que a mão de Deus está contra ela.

“Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.”

Você é um beijador ou se apega? Esta é a questão. Orfa beija a sogra. Mas Rute fica com ela. Interessante, porque algumas pessoas gostam muito dos cultos de louvor. Adoração, no grego é proskuneo, que significa ‘virar-se’ e ‘beijar’ (kuneo). Sim, adoro ir à Igreja nas noites de domingo, ou nos dias de louvor musical. Muitos adoram levantar as mãos. Sem problemas, ótimo! Mas a questão não é ir à igreja para sentir um “barato espiritual”. Adorar o Senhor é ótimo, mas o mais importante é se apegar, ficar, permanecer. Não é ir à Igreja, beijar (adorar) e depois voltar para casa e assistir a qualquer porcaria que passa na televisão. Não é beijar o Senhor e voltar para sua casa e gritar com alguém, ou não ajudar as as pessoas da sua família. Não é isso! A Bíblia não indica que Deus se impressiona com o quão alto nós pulamos ou louvamos. Ele se importa em ver o quão reto nós andamos. Essa é a verdadeira questão. Orfa beijou Noemi, mas Rute permaneceu com ela. Ficou com ela.

“Por isso disse Noemi: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses”.

Veja, ela beijou sua sogra, mas depois voltou direto para os deuses de Moabe.

“Volta tu também após tua cunhada. Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus; Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o SENHOR, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti. Vendo Noemi, que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar.”

Que coisa intrigante. E, novamente, como um lembrete, porque é algo importante: neste momento, Orfa está em seu caminho. Se as pessoas querem ir, deixe-as ir. Se querem partir, deixe-as partir.  Não significa que, necessariamente, Orfa seja uma má pessoa. Mas a partir desse ponto ela não continua na história sendo contada.  Há momentos em que temos que dizer às pessoas para simplesmente irem, se é isso que elas querem fazer.  Não podemos dizer “preciso de você em minha vida”. Deixe a pessoa ir! Ore pelo dom do ‘adeus’. Deixe-a trilhar seu caminho. Se essa é a vontade delas, que seja assim. E Orfa foi. E o nome dela não aparece novamente nessa história. E há pessoas que Deus vai dizer, para mim e para você: ela não está mais na sua história. Por que não a deixa ir? Ela não está mais na sua história.

Orfa vai pela estrada, mas Rute está na história, de uma maneira impressionante. E ela se une a Noemi, de um jeito inexplicável. Uma coisa de Deus, do Espírito Santo. Deus fez com que essas duas ficassem unidas.

Rute, a moabita, diz: vejo em você, Noemi, mesmo que tenha vivido coisas muito ruins e tido sofrimento, eu vejo em você algo que quero desesperadamente para mim. Quero o seu Deus, quero o seu povo, quero viver onde você vive, quero estar onde você está. Em outras palavras: o pior que Deus tem para oferecer, Noemi – porque você diz que a mão de Deus está contra você – é melhor do que o mundo dá.

O pior que Deus tem para oferecer é melhor do que o mundo tem para dar. Rute disse: quero isso.

Rute, uma mulher bonita e especial.  Ela olha para sua sogra, e diz: mesmo que você diga que está amarga- e está -, e que perdeu tudo, ainda vejo que o que você tem é mais do que o que temos aqui em Moabe. Quero isso. E isso é o que muitos de nós diríamos. Não é fácil ser um crente. Mas o pior que Deus nos dá é melhor do que o melhor que o mundo oferece. Não há comparação. Rute vê isso, e diz: ok, vou com você. E Noemi concorda.

“Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?”

Noemi significa “agradável”, “aprazível”. Essa é a aprazível? Noemi obviamente envelheceu bastante, não somente porque muitos anos se passaram, mas também por causa de todo o sofrimento, além das rugas e uma aparência triste.

“Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara [que significa “amarga”]; porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Cheia parti, porém vazia o SENHOR me fez tornar”.

Que afirmação! “Cheia parti”. O quê? Antes ela havia pensado que, quando partira dez anos antes, estava sem nada, vazia. Havia decidido abandonar o “lugar de louvor”, abandonar a “casa do pão” e ir para Moabe. Na ocasião, ela havia pensado que estava vazia. Mas dez anos depois, ela se deu conta que naquela época, tinha tudo e não sabia. Tinha o marido, os dois filhos, tinha tanto e não se dava conta, porque estava se concentrando naquilo que ela não tinha: pão – ao invés de focalizar naquilo que tinha: a família. Que história! Isso é significativo.

Tão frequentemente, ficamos ansiosos, nos preocupamos com aquilo que não temos, não vendo o que de fato temos. Aquilo de que nós temos em plenitude e somos incrivelmente abençoados. E muitas vezes, é só quando perdemos algo é que vemos: ‘gente, o que eu tinha, eu nem me dava conta que tinha’. As ansiedades que você tem hoje são ‘pinto’ em comparação com as bênçãos que você tem ao seu redor, neste momento, agora. Somos tão abençoados! Noemi não fazia ideia disso quando ela deixou Belém de Judá. E aí, dez anos depois, ela conclui que tinha tudo. Estava preocupada porque não tinha comida mas, na realidade, tinha tudo o que precisava. ‘Como fui tola, parti cheia, mas o Senhor me fez tornar vazia’.

“…por que pois me chamareis Noemi? O SENHOR testifica contra mim, e o Todo-Poderoso me tem feito mal.”

Não, não, Noemi – você não está certa, aqui. Se Deus estivesse a afligindo pelo seu pecado, você estaria frita. Morta. Você não teria história – não haveria nenhum “Livro de Rute”. É assim que a gente se sente, à vezes – ‘ah, Deus deve estar me punindo’. Não, não é assim. Como ele poderia julgá-lo(a) de maneira suficientemente severa? Você acha que está sendo julgado, punido? Escute: se tivéssemos o que merecemos, não estaríamos aqui agora recebendo esta mensagem – nenhum de nós. Mas o que está acontecendo aqui é que, quando as coisas estão parecendo feias e a gente acha que Deus está nos julgando ou punindo, não é bem assim. Noemi se afastou e está sentindo a repercussão de sua jornada em Moabe. Deus não está te punindo, Noemi, Ele tem um plano grandioso para você. Deus está prestes a fazer algo muito grande, Noemi, e você vai ver!

Mas Noemi nesse momento não consegue ver isso, e nós às vezes também não. “Ah, isso é horrível, isso é péssimo, isso é brutal”. Não, não é. É tudo parte de uma história. Espere até ver o que acontece. ‘Confie em mim’, o Senhor diria.

Ela não estava sendo afligida porque, se estivesse, estaria consumida, ardendo no inferno. Essa é a realidade. Deus está simplesmente fazendo um trabalho nela. Ela está sofrendo a repercussão de suas incursões por Moabe. Mas Deus é por ela, está com ela.

“Assim Noemi voltou, e com ela Rute a moabita, sua nora, que veio dos campos de Moabe; e chegaram a Belém no princípio da colheita das cevadas.”

Então aqui elas estão, de volta a Belém, e a colheita da cevada está acontecendo.  Os servos estavam no campo.

Prosseguindo então para o Capítulo 2:

“E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, da família de Elimeleque; e era o seu nome Boaz.”

Boaz é o galã da história, como conversamos. Ele é o cara que é grande, rico, elegante. É uma figura, um tipo, uma ilustração de nosso goel, nosso redentor, nosso parente, Jesus Cristo. E esse cara está lá, naquela época, e cuidando da colheita em Belém.

“E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu encontrar graça. E ela disse: Vai, minha filha.”

Veja: em Deuteronômio, há uma passagem que diz que durante a época da colheita, os pobres tinham que ser acolhidos pelo seguinte método: os que faziam a colheita tinham que deixar as bordas e os cantos do campo intocados, para que os necessitados pudessem se alimentar a partir dos grãos que ali estavam. É uma boa forma de previdência social, porque zela pela dignidade dos que precisam de ajuda. Eles conseguem trabalhar e, ao mesmo tempo, lhes fornece provisão quando eles não têm nenhum outro meio de sustento.  Então Noemi obviamente informou Rute sobre essa lei, enquanto caminhavam juntas pela estrada, rumo a Belém. E agora, Rute, a mais jovem das duas, usufruía dessa prerrogativa prevista na Lei.

“Foi, pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após os segadores…”

A Lei não somente previa que os cantos e beiradas da plantação fossem deixados para os pobres como também previa que os segadores, quando deixassem cair algo no chão (em qualquer parte do campo), não voltassem para pegar nada.  O que havia ficado para trás ou caído, na primeira passada da ceifa, tinha que ser deixado intocado ali para os pobres estrangeiros, órfãos e viúvas pegarem.

“E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu encontrar graça. E ela disse: Vai, minha filha.”

“…e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da família de Elimeleque.”

É interessante esse termo.  Nada acontece por acaso, Deus está no comando. Há um maravilhoso plano grandioso por acontecer. Um projeto divino se realizando nesse dia. E caiu-lhe em sorte. “Aconteceu” que Rute, a viúva moabita, estava no campo de Boaz. Rute, como veremos adiante, é uma figura de você e eu. Somos a noiva de Cristo, mas estávamos perdidos, empobrecidos, famintos, e “por sorte” nós “nos achamos” em Seu campo, um dia. Alguém te convidou para ir à igreja, ou conversou com você sobre um estudo bíblico ou seja o que for que aconteceu em sua história; não aconteceu “por sorte”. Foi tudo parte de um plano grandioso. Deus mandou pessoas passarem no seu caminho e te permitiu que você tivesse contato com o nosso Boaz, nosso parente redentor, nosso “goel”: Jesus Cristo.

Uma das coisas que eu estou querendo muito, quando chegar no Céu, é ouvir a história de todo mundo. Como é que foi, como é que “aconteceu” com você? Como é que você acabou se casando com Jesus Cristo? Você era pobre, você era uma moabita amaldiçoada, você estava na “bacia de lavar” de pecado e carnalidade, dando voltas sem fim… Como é que aconteceu que “caiu-lhe em sorte” de você se encontrar no campo d’Ele? É uma ótima analogia.

“E eis que Boaz veio de Belém…”

Boaz vem de Belém. De onde Jesus Cristo vem? De Belém, é claro.

“… e disse aos segadores: O SENHOR seja convosco.”

Como você se sentiria, sendo tratado(a) assim pelo seu patrão, ao chegar no trabalho de manhã?

“E disseram-lhe eles: O SENHOR te abençoe. Depois disse Boaz a seu moço, que estava posto sobre os segadores: De quem é esta moça?”

(enquanto olhava para Rute, que o deixou atraído).

“E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores…”

Esse moço é um servo cujo nome não é informado na narrativa – uma figura, um tipo, uma ilustração – como veremos adiante –do Espírito Santo. Então ali está Boaz e o servo (sem nome), a cargo dos segadores, e o servo é aquele que identifica aquela que no final se casará com Boaz, exatamente como o Espírito Santo atraiu você e a mim para um conhecimento e um relacionamento com Jesus Cristo.

“E respondeu o moço, que estava posto sobre os segadores, e disse: Esta é a moça moabita que voltou com Noemi dos campos de Moabe. Disse-me ela: Deixa-me colher espigas, e ajuntá-las entre as gavelas após os segadores. Assim ela veio, e desde pela manhã está aqui até agora, a não ser um pouco que esteve sentada em casa. Então disse Boaz a Rute: Ouves, filha minha; não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui ficarás com as minhas moças.”

Boaz entra em cena. Essa moça pela qual ele está curioso, que ele vê no campo e pergunta: “quem é?”, o servo responde quem ela é. E Boaz pede que ela não vá colher em nenhum outro campo, e que fique ali mesmo, que fique perto das moças, e não dos servos.

“Os teus olhos estarão atentos no campo que segarem, e irás após elas; não dei ordem aos moços, que não te molestem? Tendo tu sede, vai aos vasos, e bebe do que os moços tirarem. Então ela caiu sobre o seu rosto, e se inclinou à terra; e disse-lhe: Por que achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?”

Esta é a nossa oração. Esse é o jeito que eu me sinto. Como pode ser que eu tenha achado graças em teus olhos, que o Senhor iria fazer caso de mim, uma pessoa pagã, estranha, moabita. Os moabitas, como veremos, haviam sido amaldiçoados por dez gerações (Deuteronômio 23:3). Não era permitido a um moabita entrar na congregação do Senhor, na Casa do Senhor, por dez gerações. Se um israelita se casasse com uma moabita, somente na décima geração o descendente poderia entrar no Templo. E é por isso que ele fica pasma. Como pode ser que eu, uma estranha, uma moabita, como pode ser que encontrei graça em teus olhos? Ela se inclina ao chão, ela fica maravilhada que aquele homem pudesse fazer caso dela.

“E respondeu Boaz, e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste à tua sogra, depois da morte de teu marido; e deixaste a teu pai e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que antes não conheceste.”

A frase sobre Rute ter sido gentil com a sogra nós retomaremos em um estudo mais adiante.

Em seguida, Boaz elogia o fato de Rute ter deixado o povo dela e ido para uma terra que não conhecia. Muitas vezes é assim conosco, quando somos atraídos para a Igreja e pensamos: “quem são essas pessoas, o que está acontecendo aqui; por que eles fazem isso?” Mas de alguma maneira fomos atraídos. Mesmo que pensemos: “isso não é o tipo de coisa com que estou acostumado, não é lugar de onde vim”, mas de alguma maneira, dissemos: “eu vou, este será o meu lugar, este será o meu povo, Ele será o meu Deus. E isto é o que Boaz diz: chegou aos meus ouvidos como você deixou o seu povo, a sua terra, e veio para cá.”

“O SENHOR retribua o teu feito; e te seja concedido pleno galardão da parte do SENHOR Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.”

Porque você se colocou sob Suas asas, você será uma pessoa abençoada.

“E disse ela: Ache eu graça em teus olhos, senhor meu, pois me consolaste, e falaste ao coração da tua serva, não sendo eu ainda como uma das tuas criadas. E, sendo já hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre.”

O que ele oferece para ela comer? Ele diz: “venha e ceie, coma pão e vinho”. Você associa isso oa algo? Percebe algo começando a se acontecer, aqui?  Boaz, o tipo, a figura de Jesus Cristo, o “goel”, o herói da história, como veremos, nota a moça. O servo sabia tudo sobre ela, e agora, ela se maravilha que Boaz seria tão bom com ela, que permitisse que ela tivesse tantos privilégios, encontrando graça, favor imerecido, enquanto ela é uma moabita, uma pessoa amaldiçoada. E agora ela a convida para entrar e cear o pão e o vinho, os elementos da comunhão. E não somente comer o pão e vinho, mas comer junto com os servos dele. Todos nós somos segadores, e o Senhor talvez tenha convidado a você, que é mais novo(a), você que talvez ainda não compreendeu o que Deus quer realizar em sua vida, você que ainda não abriu as portas do seu coração, porém aqui você está. Você está sentado(a) com segadores.

“E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu, e se fartou, e ainda lhe sobejou. E, levantando-se ela a colher, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre as gavelas deixai-a colher, e não a censureis.”

Em outras palavra, Boaz deu ordem para que ela colhesse da parte boa, e não das sobras. Para que ela colhesse onde quisesse.

“E deixai cair alguns punhados, e deixai-os ficar, para que os colha, e não a repreendais.”

Boaz mandou que os segadores deixassem cair punhados de propósito, para que o que caísse, caísse bem na frente dela, e ela ficasse livre para colher.

Outros segadores poderiam até dizer: “espere aí, o que está acontecendo aqui?” Vamos deixar claro: graça não é algo justo. Não é sobre o que você merece. Não é sobre “como não ganhei aquilo quando fulano ganhou”, ou sobre “como é que fulano ganhou mais do que eu?”.

Graça não tem nada a ver com justiça ou com ser justo. Graça é um favor imerecido, não conquistado por algum merecimento ou ação nossa. É somente Deus dizendo: “vou deixar cair, derramar, punhados, caminhões, deixar coisas disponíveis para você”. E tenha cuidado de não dizer: “veja como ‘conquistei’ essas bênçãos, pela minha grande fé, pela minha vida justa, minha compreensão secreta dos princípios divinos, ou pelo meu diligente estudo”. Não diga isso! Porque é graça! Um presente, dado pela vontade de quem deu, sem qualquer relação de troca ou de merecimento.

E aqui está Boaz, o rei, Jesus, o parente redentor, o homem rico, ele diz: “despeje um monte de coisas boas”, porque vão cair na frente dela. Ela vai ficar pensando como é que aquilo aconteceu”. Mas você vai saber, porque ele disse: “deixe-a receber tudo”.

“E esteve ela apanhando naquele campo até à tarde; e debulhou o que apanhou, e foi quase um efa de cevada. E tomou-a, e veio à cidade; e viu sua sogra o que tinha apanhado; também tirou, e deu-lhe o que sobejara depois de fartar-se.” “Então disse-lhe sua sogra: Onde colheste hoje, e onde trabalhaste?”

A sogra estava exultante de alegria, e surpresa, porque não entendia como aquilo tinha acontecido, pois um efa de cevada é uma grande quantidade.

A propósito, a pergunta que ela fez (“onde colheste hoje?”), em outras gerações, era a maneira que cristãos usavam para se cumprimentarem. “Onde você colheu hoje?” Gosto disso. O que você aprendeu? O que você viu hoje? O que Deus te mostrou? Ótima maneira de cumprimentar as pessoas: “onde você colheu, hoje?”. Às vezes as pessoas perguntam isso, sobre o que Deus mostrou a elas, e elas logo pensam: ‘é melhor eu ter algo para compartilhar, porque alguém vai me perguntar’. E isso era bom.

“Bendito seja aquele que te reconheceu. E relatou à sua sogra com quem tinha trabalhado, e disse: O nome do homem com quem hoje trabalhei é Boaz. Então Noemi disse à sua nora: Bendito seja ele do SENHOR, que ainda não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos. Disse-lhe mais Noemi: Este homem é nosso parente chegado, e um dentre os nossos remidores.”

Noemi havia se esquecido de Boaz, não sabia nem se ele estava vivo, e agora Rute volta e conta essa história e diz que o dono do campo é Boaz. Deve ter pensado: “Uau! Que bom! É meu parente!”

“E disse Rute, a moabita: Também ainda me disse: Com os moços que tenho te ajuntarás, até que acabem toda a sega que tenho.”

É curioso porque Boaz havia dito a Rute que ficasse com as moças e não com os servos.

“E disse Noemi a sua nora: Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que noutro campo não te encontrem. Assim, ajuntou-se com as moças de Boaz, para colher até que a sega das cevadas e dos trigos se acabou; e ficou com a sua sogra.”

Ela ouviu a sogra, ficou com as moças, e compartilhou daquela grande colheita, que começou na colheita da cevada (Festa das Primícias, na época da Páscoa) e terminou na colheita dos trigos (Festa de Pentecostes).

Em nosso próximo estudo, veremos o capítulos 3 e 4 e, em seguida, discutiremos o livro de Rute por uma perspectiva profética, vendo como essas coisas falam para nós sobre o fim dos tempos, o plano de Deus para os judeus, para os gentios, para mim, para você.

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6 comentários em “Livro de Ruth parte 1

  1. Anônimo
    12/04/2012

    Adorei essa “parte 1″, aprendi muitas coisas. Quando vão postar as demais partes? Estou no aguardo! Obrigado

    • lucimar
      29/04/2013

      ecelente essa me nsagem acrescentou muito para meu conhecimento, tambem pra minha comunhao espiritual com Deus obrigada

  2. David fonseca
    05/06/2012

    Esta reflexão é de grande contribuição p o corpo de Cristo. Meu desejo é que DEUS continue te capacitando e te fortalecendo para que o nome Dele seja glórificado através da sua vida. DEUS te abençoe.

    • Admin
      06/06/2012

      Muito obrigado. No próximo feriado, pretendo traduzir a segunda parte. A última parte será a mais interessante, por apresentar o rico significado profético do livro de Rute. Grande abraço e que Deus também te abençoe muito.

      • elizabeth santos silva
        06/02/2013

        Maravilhoso este estud, que lhe abençoe como também lhe iluminação do Espirito Santos para continuar esta traduçao. Espero o restante.

  3. ANÔNIMO
    19/03/2013

    AMEI O ESTUDO QUANDO VAM POSTAR AS DEMAIS PARTES

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Publicado às 24/03/2012 por em Sermões traduzidos e marcado , , , , , , , , , .
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