Prevalecendo na oração

[Síntese traduzida do sermão “Prevailing in Prayer“, do pastor Jon Courson, da Applegate Fellowship, em 24/05/1998.]

Muitas coisas poderiam ser ditas sobre Jacó – boas e ruins. Mas uma uma coisa precisa ser reconhecida: Jacó era um homem que foi capaz de prevalecer em oração. Sobre isso, não resta nenhuma dúvida.

Assim como você, quero desenvolver e aprofundar a minha vida de oração. Quero que minhas orações sejam mais eficazes e impactantes. Quero ser uma pessoa de oração. Com esse propósito, uno-me aos discípulos que vieram ao nosso Mestre, dizendo: “Senhor, ensina-nos a orar”. Eles não disseram: “Senhor ensina-nos a pregar” ou, “Senhor, ensina-nos a curar os doentes” ou, “Senhor, ensina-nos a expulsar os demônios”. Eles disseram: “Senhor, ensina-nos a orar” – porque entendiam perfeitamente que a chave para o Seu ministério, de fato a chave para a Sua vida toda, era a Sua comunhão com o Seu Pai. É por isso que eles disseram: “Senhor, ensina-nos a orar” [Lc 11:1].

Fico feliz que o Senhor não se limite a nos dar as teorias ou tratados teológicos sobre a oração – mas que Ele nos dê histórias que retratem a oração, para que eu possa entender essas histórias com muito mais facilidade do que posso entender teoria ou teologia.

E aqui em nosso texto está apenas uma história – uma que eu achei extremamente útil para compreender o que significa a prevalecer na oração. Eis a situação: depois de um afastamento de vinte anos, Jacó está no caminho de volta para a sua terra. Com duas mulheres, onze filhos, uma filha, muitos servos e gado abundante, o seu retorno deveria ter sido triunfal. Mas havia uma dificuldade pela frente, porque o irmão de Jacó – Esaú – o que ele havia enganado, aquele que prometeu matá-lo – estava a caminho para encontrar Jacó, acompanhado por 400 homens.

Mais uma vez, temendo por sua vida, Jacó faz uma coisa sábia: Ele ora. Observe as qualidades que são essenciais para quem quer prevalecer em oração.

Jacó insistiu na oração

E orou Jacó: Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: Torna à tua terra e à tua parentela, e te farei bem” [Gênesis 32:9].

E disseste: Certamente eu te farei bem e dar-te-ei a descendência como a areia do mar, que, pela multidão, não se pode contar”. [Gênesis 32:12]

Tanto no começo como na conclusão de sua oração, Jacó é insistente no que ele diz: “Senhor, Tu és Aquele que me disse para voltar para casa. Tu és Aquele que prometeu que iria salvar a minha vida”. Ao fazer isso, Jacó toma as promessas feitas a ele e ergue-as de volta para o Senhor em oração.

Amigo, esta é uma prática essencial para se orar de forma eficaz. Em Isaías 45:11 (AA, ACF) diz: “Assim diz o Senhor, o Santo de Israel, aquele que o formou: Perguntai-me as coisas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos”. (Na tradução da KJV: “Thus saith the Lord, the Holy One of Israel, and his Maker, Ask me of things to come concerning my sons, and concerning the work of my hands command ye me.”) Demandá-lo? Comandá-lo? – diria você. Parece até aquela teologia “determine e reivindique” (“name it and claim it”). Não, porque contextualmente, você verá que naquela passagem, Deus está falando sobre as promessas e profecias Ele já havia feito para o Seu povo.

Veja o que Jesus diria na mesma linha: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” [João 15:7]. Em outras palavras: “se você permanecer em mim, se unir a mim, ficar ligado em mim, pode me pedir qualquer coisa, porque a Minha palavra estará dentro de você.” Que palavra? “Grandiosas e preciosas promessas” [2 Pedro 1:4]. Alguns têm dito que há mais de 3.000 promessas dadas a nós na Palavra de Deus. E é como se Deus nos dissesse: “Quero que você tome essas promessas grandiosas e preciosas e as peça para si, que as demande de mim”.

George Müller, o grande guerreiro de oração do século passado, que fundou dezenas de orfanatos financiados somente por meio do poder da oração, disse: “Tomo as promessas da Palavra de Deus e argumento/contendo sobre elas com o Senhor – não para convencê-lo de alguma coisa, mas para convencer a mim mesmo”.

Veja você, quando repetimos em pensamento, em voz alta ou em oração as promessas que Deus tem tão graciosamente nos dado, relativas ao sustento, à saúde, à paz, à salvação, ao entendimento e à direção, lembramos a nós mesmos sobre elas. É por isso que devemos ler e estudar as Escrituras. A Palavra de Deus é o nosso tesouro – e tenha certeza que somos muito mais ricos do que pensamos.

Com grande frequência, vivemos a nossa vida como mendigos espirituais. Somos incapazes de ver as bênçãos em nossa família, para os nossos amigos, ou para o nosso país. Por quê? “Nada tendes, porque não pedis” [Tiago 4:2]. Por que não pedimos? Estou convencido de que é porque não sabemos o que está na Palavra. Temos tempo para ler a revista ‘Exame’ e o caderno de economia dos jornais para buscar informações sobre como administrar as nossas finanças e negócios; temos tempo para ler revistas como ‘Casa & Decoração’ para aprender a criar um lar bonito e acolhedor; temos tempo para ler ‘Pais & Filhos’ para melhorar nossas habilidades como pais – mas falhamos ao negligenciar o estudo do Livro que contém orientações e promessas de Deus relativas a todas essas áreas.

É somente quando oramos as promessas de Deus que somos capazes de receber de Deus os recursos inesgotáveis o Senhor nos concedeu. Jacó compreendia isso. É por isso que ele era insistente na oração.

Jacó persistiu em oração

Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do dia. Quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele. Disse o homem: Deixa-me ir, porque já vem rompendo o dia. Jacó, porém, respondeu: Não te deixarei ir, se não me abençoares ” [Gênesis 32:24-26, AA].

Oséias 12:3-4 nos dá mais conhecimento sobre essa luta: “No ventre pegou do calcanhar de seu irmão; e na sua idade varonil lutou com Deus. Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe fez súplicas. Em Betel o achou, e ali falou Deus com ele”.

Quando é que Jacó teve poder e prevaleceu? Quando ele chorou e implorou. Em outras palavras, embora Jacó tenha sido aquele que disse “Não te deixarei ir se me não abençoares”, era Jacó quem estava chorando, era Jacó quem estava preso. Mesmo que ele estivesse chorando, mesmo que estivesse perdendo a luta, mesmo que ele estivesse preso ao chão e cheio de dores, Jacó não desistiu. Ele orou com persistência.

Por meio da oração, Jacó encontrou intimidade

Por que Deus lutou com Jacó? Por que Ele quer lutar com você e comigo? Pela mesma razão que eu gosto de lutar com o meu filho Benny [N.T.: o nome do filho do pastor Jon Courson é Benjamim (apelido Benny), que era criança na época dessa pregação]. É algo chamado intimidade. Deus gosta de lutar com as coisas através de mim e você, porque somos amados. “Vamos lutar sobre essa coisa hora após hora, dia após dia, ou mesmo mês após mês”. Ele nos diz: “porque não você vai descobrir não somente que Eu vou vencer no final – mas no processo, vamos desenvolver uma maravilhosa intimidade”.

É por isso que o texto grego original de Mateus 7:7 nos diz que devemos “pedir continuamente, buscar continuamente, bater na porta continuamente“, porque é assim que a intimidade com o Senhor é desenvolvida, é assim que a oração é respondida.

Por meio da oração, Jacó fez descobertas

A luta oferece oportunidades únicas para a descoberta. Em uma disputa, quando você mede sua força contra a de seu oponente, quando você assume várias posições é imobilizado em várias delas, aprende coisas sobre si mesmo e sobre seu adversário que não conseguiria descobrir de outra maneira.

Assim também, Deus nos convida a lutar com Ele a fim de que possamos descobrir coisas sobre Ele e sobre nós mesmos, as quais não poderíamos aprender de nenhum outro jeito. Quando você contende em oração, pode descobrir que o que Deus lhe dá e faz por você é totalmente diferente do que você esperava. Jacó pediu para ser abençoado, mas ao invés disso ele foi quebrantado – mas a resposta foi melhor, porque nosso Pai sabe melhor.

Esta oração clássica foi encontrada no bolso da jaqueta de um soldado da Guerra Civil morto por tiros em Gettysburg:

Pedi força para que eu pudesse alcançar
Ele me fez fraco para que eu pudesse obedecer
Pedi por saúde para que eu pudesse fazer coisas boas
Ele me deu a graça para que eu pudesse fazer coisas melhores
Pedi riquezas para que eu pudesse ser feliz
Ele me deu a pobreza para que eu pudesse ser sábio
Pedi por poder para que eu recebesse o louvor dos homens
Ele me deu fraqueza que eu pudesse sentir a necessidade de Deus
Pedi todas as coisas para que eu pudesse aproveitar a vida
Ele me deu vida para que eu pudesse desfrutar todas as coisas
Não recebi nada que pedi
Mas Ele me deu tudo o que eu mais desejava

Continue na luta, amigo. Você vai ganhar intimidade com o Senhor. Vai fazer descobertas sobre o Senhor. E vai ser mudado radicalmente pelo Senhor no próprio processo de orar.
—–

Referências sobre as abreviações usadas para diferentes traduções da Bíblia:

ARA: Almeida (tradução para o português de João Ferreira de Almeida) Revista e Atualizada
AA: Almeida Atualizada
NIV: Nova Versão Internacional
KJV: King’s James Version (em inglês)

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